A ferramenta educacional pode ser baixada gratuitamente e usada em computadores e tablets. A plataforma foi testada em escolas, com alunos especiais, e teve resposta positiva

Softwares ajudam na inclusão de pessoas com deficiência intelectual

Tomar remédios, vestir roupas para o frio ou para o calor e conferir o troco da padaria são, aparentemente, tarefas simples do dia a dia. Mas não para todos. Realizar esses gestos pode se tornar algo bem difícil para quem tem deficiência intelectual ou síndrome de Down. Para dar mais autonomia a eles, a Universidade de Brasília (UnB) lança, hoje, dois softwares: Organizar e Somar.

A primeira é uma ferramenta pedagógica, ligada às estações climáticas e ao vestuário. Também conta com uma agenda eletrônica, que permite aos usuários controlarem compromissos, como horário do remédio, das refeições e outros. Já a segunda plataforma ajuda nos conteúdos básicos da matemática, aplicados no dia a dia.

O objetivo do programa é promover a inclusão social e a autonomia, por meio da tecnologia assistiva, de forma lúdica. A ferramenta educacional pode ser baixada gratuitamente e usada em computadores e tablets. A plataforma foi testada em escolas, com alunos especiais, e teve resposta positiva. “O software é bem interativo, com vídeos e áudios que estimulam os deficientes. Eles aceitaram muito bem e assimilaram perfeitamente o conteúdo”, explica Adriana Góes, chefe da Unidade de Educação Básica do Gama.

Esse não é o primeiro software lançado pela UnB para esse público. A ferramenta faz parte do Projeto Participar, que tem outras plataformas para a alfabetização de deficientes intelectuais e autistas. Elas são utilizadas em todo o Brasil, além de Portugal e Angola. Nos próximos meses, serão lançados mais quatro softwares. “Eu, como servidor público, me sinto grato em entregar para a sociedade produtos educacionais e de tecnologias assistivas com distribuição gratuita”, orgulha-se Wilson Veneziano, coordenador do projeto e professor da UnB.

Além da interação social, a ferramenta promove inclusão digital para pessoas com deficit de aprendizado. “O mercado tecnológico não vê pessoas com deficiência como rentável. Por isso, raramente são produzidos softwares para eles”, explica Veneziano. Para gravar os vídeos explicativos, foram contratados dois atores com síndrome de Down — assim, eles causam maior empatia e aceitação do conteúdo aos usuários do programa. O conteúdo segue o currículo funcional do Ministério da Educação. A ferramenta tecnológica é elaborada por pedagogo, produtor audiovisual, produtor de vídeos, analistas de sistemas e design gráfico. Além dos professores que colaboram nos testes.

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2016/10/18/interna_cidadesdf,553639/softwares-ajudam-na-inclusao-de-pessoas-com-deficiencia-intelectual.shtml

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